Acompanhamento permanenteAtualizado em 13 de agosto de 2026

Rua Ribeirão Claro

Uma rua de 12 metros vai virar avenida de 50.

A Prefeitura vai alargar a Rua Ribeirão Claro para abrir uma ligação viária entre a Avenida Hélio Pellegrino e a Avenida dos Bandeirantes — o último trecho de um projeto de 1968. As notificações começaram em 7 de abril de 2025. Esta página reúne o que a própria Prefeitura apresentou, o que está em disputa e onde o processo está hoje.

72Imóveis atingidos pelo projeto atualSPOBRAS/DESAP, apresentação oficial. A imprensa falou em 68 e em cerca de 100 — o número do órgão executor é 72
22.558Metros quadrados de desapropriaçãoSPOBRAS, trecho Hélio Pellegrino–Bandeirantes, Lei 18.062/23
12 → 50Largura da rua, em metrosFolhapress, outubro de 2025 — no mínimo 50 m
1968Ano da primeira lei que previu a ligaçãoLei 7.104/68 — extensão da Faria Lima. O projeto de hoje é a terceira versão dela
Documentos da Prefeitura

O traçado, lote por lote.

A AAVO recebeu a apresentação da SPOBRAS/DESAP feita na audiência pública do projeto. Estas são as pranchas do próprio órgão executor — não reconstituição.

Planta oficial do perímetro de desapropriação da Rua Ribeirão Claro, com os lotes atingidos delimitados
Planta do estudo de imóveis atingidos. A linha vermelha tracejada é o perímetro da desapropriação; cada polígono preto é um lote. A própria apresentação registra a planta como “em elaboração”, ou seja, o desenho pode mudar. Fonte: SPOBRAS/DESAP, apresentação da audiência pública do Prolongamento Viário Faria Lima–Bandeirantes.
Vista aérea com o novo traçado marcado em vermelho sobre a Rua Ribeirão Claro
Projeção do novo traçado sobre a Rua Ribeirão Claro, ligando a Av. Hélio Pellegrino à Av. dos Bandeirantes. Fonte: SPOBRAS/DESAP.
Vista aérea comparando dois perímetros de desapropriação, um em verde e outro em vermelho
O que mudou entre as duas versões do projeto: em verde o perímetro da Lei 7.104/68, em vermelho o do Decreto 63.252/2024 com a Lei 18.062/23. A revisão de 2017 reduziu as desapropriações de 95 imóveis e 25.651 m² para 72 imóveis e 22.558 m². Fonte: SPOBRAS/DESAP.
O que está em disputa

Três pontos concretos.

A obra em si tem justificativa declarada. O conflito é sobre preço, prazo e quem paga a conta.

O valor oferecido pelo metro quadrado

Um comerciante da rua há 31 anos, dono de uma floricultura no trecho entre as ruas Quatá e Alvorada, declarou à Folhapress que o valor oferecido pela Prefeitura foi menos da metade do praticado pelo mercado. Ele recebeu a notificação em 17 de outubro de 2025.

O perfil de quem mora ali

Os moradores relatam que esse trecho concentra residentes antigos justamente porque manteve as construções livres da especulação imobiliária do entorno. Segundo o mesmo comerciante, a maioria dos proprietários que terão de se mudar são idosos, um deles com mais de 90 anos.

De onde vem o dinheiro da obra

A intervenção faz parte da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, pela qual o setor imobiliário leiloou R$ 1,67 bilhão em títulos que dão direito de erguer prédios nos arredores da Faria Lima. O recurso da obra existe e é público. É contra esse número que uma oferta de indenização abaixo do mercado precisa ser explicada.

Onde fica o trecho
Ruas reais, dados do OpenStreetMap. O trecho declarado de utilidade pública vai da Rua Alvorada à Av. Hélio Pellegrino, passando pela Quatá. O perímetro oficial não foi publicado em formato consultável — este mapa mostra a região, não a linha da desapropriação.Abrir no OpenStreetMap ↗
O que a Prefeitura respondeu
Em nota, a gestão afirmou que a oferta “será ainda submetida à análise judicial e passará por um perito independente nomeado pelo juiz” e que “o valor final da indenização, portanto, será definido pelo magistrado, após todo esse processo”. Quem não se manifestar ou recusar a oferta terá a desapropriação formalizada por ação judicial, com o valor definido pela Justiça.
A rua nunca teve nome próprio

Até 1954 a Ribeirão Claro era a Rua 7. Nos anos 1930 as ruas da Vila Olímpia eram identificadas por números, e o nome atual veio de uma cidade paranaense tirada do banco de palavras da Prefeitura. A rua que está sendo demolida foi batizada por sorteio administrativo — e é onde as casas mais antigas do bairro sobreviveram.

Cronologia

Cinquenta e oito anos de projeto.

Só movimentações com fonte pública. Onde não há data exata publicada, o mês está indicado como aproximado.

  1. AGO 2026
    Situação atual

    Nada publicado sobre o caso depois de janeiro de 2026. A obra segue em fase de licitação e o processo caminha para a via judicial, onde o valor da indenização será definido caso a caso.

  2. JAN 2026
    Análise jurídica publicada

    Escritórios que atuam no caso registram que a maioria dos processos em áreas de alto valor imobiliário termina em litígio, e que a perda do fundo de comércio gera direito a indenização inclusive para o locatário.

    Andere Advogados
  3. 22 OUT 2025
    Moradores se organizam

    Proprietários se unem contra o projeto e penduram faixas nos portões. Um deles registra que o imóvel está com a família desde a década de 1970.

    Folhapress
  4. 17 OUT 2025
    Propostas de indenização chegam

    A Folhapress registra moradores e comerciantes do miolo do trecho — entre as ruas Quatá e Alvorada — recebendo a notificação com a proposta de valor. É a fase que a SPOBRAS chama de material expropriatório: laudo individual e oferta por escrito.

    Folhapress
  5. 07 ABR 2025
    Início das notificações

    Data de início do ciclo de notificações segundo a própria SPOBRAS, "até atual". Na mesma semana, reunião na Subprefeitura de Pinheiros para alinhamento das notificações. As propostas de valor relatadas pela imprensa em outubro são a continuação deste ciclo, não outro processo.

    SPOBRAS/DESAP
  6. 12 MAR 2024
    Decreto de utilidade pública

    Decreto Municipal nº 63.252 (DUP), com a Lei 18.062/23, autoriza o alargamento da Ribeirão Claro para a ligação Hélio Pellegrino–Bandeirantes. O texto do decreto descreve o perímetro por trechos — a citação de 31.023,77 m² entre a Alvorada e a Hélio Pellegrino, repetida pela imprensa, refere-se a trecho do decreto; o total do projeto apresentado pela SPOBRAS é 22.558 m² e 72 imóveis.

    Decreto 63.252/2024
  7. 2017
    Revisão para reduzir desapropriações

    A Prefeitura revisa o projeto de 1968: o perímetro cai de 95 imóveis e 25.651 m² para os atuais 72 imóveis e 22.558 m².

    SPOBRAS/DESAP
  8. 1968
    Primeira lei

    A Lei 7.104/68 prevê a extensão da Faria Lima até a Av. dos Bandeirantes — a primeira versão do projeto que agora chega à Ribeirão Claro.

    Lei 7.104/68

Divergências registradas. (1) Área: a imprensa cita 31.023,77 m² “entre a Alvorada e a Hélio Pellegrino”; a SPOBRAS apresenta 22.558 m² como total do projeto atual. Esta página usa o número do órgão executor e trata o outro como recorte de trecho do decreto — antes de citar qualquer um em ofício, confira no Diário Oficial. (2) Imóveis: 68 (Metrópoles), cerca de 100 (Folhapress), 72 (SPOBRAS) — vale o mesmo critério. (3) Data do decreto: Metrópoles e BNews falam em março de 2023; o número e a data usados aqui — 63.252, de 12 de março de 2024 — vêm de escritórios que atuam no caso e batem com o histórico da SPOBRAS.

Se o seu imóvel está no trecho

As seis etapas do processo.

A AAVO não faz advocacia e não indica escritório. O que segue é o roteiro público do processo, para você saber em que etapa está.

Fluxo e órgãos conforme a apresentação da SPOBRAS/DESAP na audiência pública do Prolongamento Viário Faria Lima–Bandeirantes, entregue à AAVO. As colunas “o que você pode fazer” são leitura da AAVO sobre o roteiro público, não orientação jurídica.
EtapaQuem conduzO que aconteceO que você pode fazer
Projeto básicoGab. Engenharia · SIURB · SP-ObrasO traçado é definido e vira planta. É aqui que se decide quais lotes entram.Cobrar a planta na Subprefeitura e conferir se o seu lote está dentro.
Estudo de titularidadesSP-ObrasA Prefeitura levanta quem é o proprietário registrado de cada imóvel.Manter a matrícula atualizada. Registro divergente atrasa o seu pagamento, não o da obra.
Publicação da DUPPrefeituraO decreto declara os imóveis de utilidade pública. Não transfere a propriedade — abre o caminho para a negociação.Conferir se o seu imóvel consta no decreto e guardar a publicação.
Material expropriatórioDESAP — Núcleo de DesapropriaçõesLaudo de avaliação individual de cada imóvel e a oferta por escrito. A própria apresentação estima 180 dias para os laudos.Registrar por escrito e por foto tudo que existe no imóvel. Benfeitoria não documentada é benfeitoria não indenizada. Não é obrigatório aceitar a oferta.
AjuizamentoDESAPSem acordo, a Prefeitura ajuíza a ação de desapropriação. O juiz nomeia perito independente.É na perícia que o valor se decide. Laudo próprio e documentação do imóvel pesam aqui.
Imissão na posseJudiciárioA Prefeitura obtém a posse do imóvel por decisão judicial e o valor final é fixado pelo magistrado.Comércio: a perda do fundo de comércio é indenizável, inclusive para quem aluga.

Você é da Ribeirão Claro?

Cada caso é individual na Justiça, mas o histórico da rua é coletivo. A AAVO está montando o registro do trecho: quem foi notificado, quando, e qual valor foi oferecido. Sem nome público — só o padrão, que é o que serve numa audiência.

O canal oficial da desapropriação
A apresentação da SPOBRAS traz o contato do Núcleo de Desapropriações e Áreas Públicas, que é quem responde sobre laudo, oferta e prazo do seu imóvel: desapropriacao@spobras.gov.br e (11) 3113-1614. Guarde protocolo de tudo que enviar. Se o órgão não responder, a AAVO leva o pedido por ofício — mas o canal direto é este.
Fontes desta página
  • SPOBRAS / DESAP — Núcleo de Desapropriações e Áreas Públicas: apresentação “Prolongamento viário Faria Lima–Bandeirantes”, entregue à AAVO. Traz o fluxo do processo, o comparativo entre as duas versões do projeto, a planta de imóveis atingidos e o contato do órgão. É a fonte primária desta página.
  • Lei nº 7.104, de 1968 — extensão da Faria Lima. Revisão de projeto em 2017 para reduzir desapropriações. Lei nº 18.062, de 2023, e Decreto nº 63.252, de 12 de março de 2024 (DUP) — alargamento da Rua Ribeirão Claro, com a ligação passando pela Av. Hélio Pellegrino até a Av. dos Bandeirantes.
  • Notificações aos proprietários: início em 7 de abril de 2025, conforme a apresentação da SPOBRAS.
  • Folhapress, 22 de outubro de 2025 — “Donos de imóveis alvos de desapropriação na Vila Olímpia protestam contra projeto”: largura de 12 m, ampliação para no mínimo 50 m, cerca de 100 construções em cinco quarteirões, decreto de 1968, nota da Prefeitura.
  • Metrópoles, outubro de 2025 — 68 imóveis, Operação Urbana Faria Lima, obra em fase de licitação.
  • Andere Advogados, janeiro de 2026 — roteiro das etapas do processo e indenização por fundo de comércio.
  • Sobre o nome da rua: acervo de história da Vila Olímpia — Ribeirão Claro era a antiga Rua 7, rebatizada em 1954.

Status verificado em 13 de agosto de 2026 — nenhuma publicação nova desde janeiro de 2026